Igreja Presbiteriana Dikaios
Confissão de Fé de Westminster Capítulo IV

Da Criação

Introdução

A doutrina da criação é o ponto de partida para toda a revelação bíblica. Antes de compreendermos quem é o homem, por que existe o pecado, como Deus salva o seu povo ou de que maneira Ele governa todas as coisas, precisamos reconhecer que o universo existe porque Deus assim o quis. A criação não é um tema secundário das Escrituras, mas o alicerce sobre o qual toda a cosmovisão cristã é edificada.

A Confissão de Fé de Westminster destaca que Deus criou todas as coisas para manifestar a sua glória, sabedoria, poder e bondade. Assim, contemplar a criação é reconhecer a majestade do Criador e compreender que toda a existência depende dEle.

1. Deus é o Criador de Todas as Coisas

A Bíblia inicia sua revelação afirmando de maneira simples e majestosa:

"No princípio criou Deus os céus e a terra." (Gênesis 1:1)

Essa declaração estabelece uma verdade fundamental: tudo o que existe teve origem na vontade soberana de Deus. A matéria, o espaço, o tempo e toda a ordem do universo existem porque foram criados por Ele.

As Escrituras reafirmam essa verdade ao longo de toda a revelação. O evangelho de João declara:

"Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito." (João 1:3)

Da mesma forma, o autor de Hebreus ensina:

"...nestes últimos dias nos falou por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo." (Hebreus 1:2)

Esses textos revelam que a criação não foi fruto do acaso, mas resultado da ação soberana do Deus Triúno.

2. A Criação é Obra da Trindade

A criação manifesta a atuação conjunta do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Enquanto Gênesis apresenta Deus criando todas as coisas, João revela que o Filho participou dessa obra, e Gênesis 1:2 mostra a ação do Espírito Santo:

"A terra era sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas." (Gênesis 1:2)

Assim, a criação testemunha a perfeita unidade da Trindade em todas as obras divinas. O Pai cria por meio do Filho, enquanto o Espírito atua dando ordem e plenitude à criação.

3. A Criação Existe para a Glória de Deus

A criação não surgiu porque Deus necessitava de companhia ou porque lhe faltava alguma coisa. Deus é absolutamente perfeito e plenamente suficiente em si mesmo.

O universo foi criado para revelar a glória do seu Criador.

O apóstolo Paulo resume essa verdade com estas palavras:

"Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém." (Romanos 11:36)

Cada estrela, cada montanha, cada oceano e cada ser vivo proclamam a grandeza daquele que os criou. Como afirmou João Calvino, o mundo é o grande teatro da glória de Deus.

Ao observar a criação, o cristão reconhece a sabedoria, a ordem e o propósito estabelecidos pelo Senhor.

4. A Criação Não Deve Ser Adorada

Embora a criação revele a glória de Deus, ela jamais deve ocupar o lugar do próprio Criador.

A Bíblia condena toda forma de idolatria que transforma a criatura em objeto de adoração.

O apóstolo Paulo escreve:

"Trocaram a verdade de Deus pela mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito para todo o sempre. Amém." (Romanos 1:25)

A natureza é boa porque foi criada por Deus, mas não é divina. O cristão é chamado a cuidar da criação como mordomo fiel, sem jamais atribuir a ela honra, confiança ou devoção que pertencem exclusivamente ao Senhor.

5. O Ser Humano Foi Criado à Imagem de Deus

Entre todas as criaturas, apenas o ser humano recebeu o privilégio de portar a imagem de Deus.

As Escrituras afirmam:

"Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os animais que rastejam pela terra. Criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou." (Gênesis 1:26-27)

Ser criado à imagem de Deus significa possuir dignidade singular, capacidade racional, responsabilidade moral e vocação para viver em comunhão com o Criador.

Além disso, Deus confiou ao homem a administração da criação, chamando-o a exercer domínio responsável, jamais exploração ou idolatria.

6. A Família Faz Parte da Ordem da Criação

A família não é resultado de uma construção cultural, mas uma instituição estabelecida pelo próprio Deus desde a criação.

A Palavra declara:

"Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne." (Gênesis 2:24)

O casamento, portanto, faz parte da boa criação de Deus e reflete sua sabedoria. A união entre homem e mulher revela a complementaridade estabelecida pelo Criador e constitui o fundamento da família.

Conclusão

A doutrina da criação nos conduz à adoração. O Deus que trouxe todas as coisas à existência continua sustentando o universo por sua providência e governando a história segundo seus eternos propósitos.

Compreender a criação fortalece nossa confiança em Deus, dá sentido à existência humana e nos lembra que fomos criados para viver em comunhão com Ele e para refletir sua glória em todas as áreas da vida.

Ao contemplarmos a criação, somos convidados a reconhecer a majestade do Senhor, a exercer fielmente nossa vocação e a declarar, juntamente com o apóstolo Paulo:

"Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém." (Romanos 11:36)

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