Igreja Presbiteriana Dikaios
Confissão de Fé de Westminster Capítulo III

Os Decretos Eternos de Deus

O terceiro capítulo da Confissão de Fé de Westminster trata da doutrina dos decretos eternos de Deus, afirmando que, antes da fundação do mundo, Deus determinou soberana e livremente tudo o que acontece na história para a manifestação da sua própria glória. Essa verdade não apresenta um Deus que reage aos acontecimentos humanos, mas um Senhor absoluto que governa todas as coisas segundo o conselho perfeito de sua vontade.

A base dessa doutrina encontra-se nas próprias Escrituras. O profeta Isaías registra as palavras do Senhor:

"Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos." (Isaías 55:8-9)

Essas palavras revelam que Deus nunca foi surpreendido pelos acontecimentos da história. Tudo o que existe faz parte do seu eterno propósito e se desenvolve conforme a sua vontade soberana. O apóstolo Paulo confirma essa verdade ao afirmar:

"...nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade." (Efésios 1:11)

A soberania divina alcança também a obra da salvação. A eleição não acontece porque Deus prevê quem crerá, mas porque, desde toda a eternidade, escolheu um povo para si em Cristo. A Escritura declara:

"Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade." (Efésios 1:4-5)

Essa escolha é inteiramente fruto da graça divina. A fé não é a causa da eleição; ao contrário, ela é consequência da obra regeneradora de Deus no coração do pecador. Por isso, Paulo afirma:

"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie." (Efésios 2:8-9)

A Confissão de Fé de Westminster também ensina que o decreto eterno de Deus jamais o torna autor do pecado. Embora todas as coisas estejam sob o seu governo soberano, os homens permanecem plenamente responsáveis por suas ações. O relato da vida de José ilustra essa verdade de maneira extraordinária:

"Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida." (Gênesis 50:20)

Essa doutrina não deve produzir especulações ou orgulho espiritual, mas conduzir o cristão à humildade, à gratidão e à confiança na providência divina. Todos os seres humanos são pecadores e merecem a condenação; entretanto, Deus salva o seu povo exclusivamente por sua misericórdia, enquanto manifesta sua perfeita justiça em todos os seus juízos. Por isso, o apóstolo Paulo declara:

"Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?" (Romanos 9:21)

Os decretos eternos de Deus constituem uma das maiores fontes de consolo para o povo de Deus. A salvação não repousa na força humana, mas na fidelidade daquele que chamou os seus eleitos. O próprio Senhor Jesus declarou:

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão." (João 10:27-28)

Assim, o Capítulo III da Confissão de Fé de Westminster conduz o cristão a contemplar a majestade de Deus, reconhecendo que todas as coisas existem para a sua glória. Longe de desencorajar a fé, a doutrina dos decretos eternos fortalece a confiança na providência divina, incentiva a perseverança dos santos e conduz a Igreja a adorar o Deus que realiza todas as coisas conforme o conselho perfeito da sua vontade.

Mais do que uma formulação teológica, essa doutrina revela um Deus absolutamente soberano, cuja vontade jamais pode ser frustrada e cujos decretos são perfeitos, sábios e imutáveis. Descansar nessa verdade é reconhecer que a história da redenção, a salvação dos eleitos e o governo do universo estão seguros nas mãos daquele que "faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade" (Efésios 1:11), para o louvor da sua glória.

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