O terceiro capítulo da Confissão de Fé de Westminster trata da doutrina dos decretos eternos de Deus, afirmando que, antes da fundação do mundo, Deus determinou soberana e livremente tudo o que acontece na história para a manifestação da sua própria glória. Essa verdade não apresenta um Deus que reage aos acontecimentos humanos, mas um Senhor absoluto que governa todas as coisas segundo o conselho perfeito de sua vontade.
A base dessa doutrina encontra-se nas próprias Escrituras. O profeta Isaías registra as palavras do Senhor:
Essas palavras revelam que Deus nunca foi surpreendido pelos acontecimentos da história. Tudo o que existe faz parte do seu eterno propósito e se desenvolve conforme a sua vontade soberana. O apóstolo Paulo confirma essa verdade ao afirmar:
A soberania divina alcança também a obra da salvação. A eleição não acontece porque Deus prevê quem crerá, mas porque, desde toda a eternidade, escolheu um povo para si em Cristo. A Escritura declara:
Essa escolha é inteiramente fruto da graça divina. A fé não é a causa da eleição; ao contrário, ela é consequência da obra regeneradora de Deus no coração do pecador. Por isso, Paulo afirma:
A Confissão de Fé de Westminster também ensina que o decreto eterno de Deus jamais o torna autor do pecado. Embora todas as coisas estejam sob o seu governo soberano, os homens permanecem plenamente responsáveis por suas ações. O relato da vida de José ilustra essa verdade de maneira extraordinária:
Essa doutrina não deve produzir especulações ou orgulho espiritual, mas conduzir o cristão à humildade, à gratidão e à confiança na providência divina. Todos os seres humanos são pecadores e merecem a condenação; entretanto, Deus salva o seu povo exclusivamente por sua misericórdia, enquanto manifesta sua perfeita justiça em todos os seus juízos. Por isso, o apóstolo Paulo declara:
Os decretos eternos de Deus constituem uma das maiores fontes de consolo para o povo de Deus. A salvação não repousa na força humana, mas na fidelidade daquele que chamou os seus eleitos. O próprio Senhor Jesus declarou:
Assim, o Capítulo III da Confissão de Fé de Westminster conduz o cristão a contemplar a majestade de Deus, reconhecendo que todas as coisas existem para a sua glória. Longe de desencorajar a fé, a doutrina dos decretos eternos fortalece a confiança na providência divina, incentiva a perseverança dos santos e conduz a Igreja a adorar o Deus que realiza todas as coisas conforme o conselho perfeito da sua vontade.
Mais do que uma formulação teológica, essa doutrina revela um Deus absolutamente soberano, cuja vontade jamais pode ser frustrada e cujos decretos são perfeitos, sábios e imutáveis. Descansar nessa verdade é reconhecer que a história da redenção, a salvação dos eleitos e o governo do universo estão seguros nas mãos daquele que "faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade" (Efésios 1:11), para o louvor da sua glória.