Fechamos a semana lembrando, uma última vez: na Bíblia, os frutos ruins representam ações, atitudes e o caráter corrompido de uma pessoa que não vive segundo a vontade de Deus — "pelas nossas ações e modo de viver somos reconhecidos" (Mt 7.18-20).
Hoje entramos na esfera interior — a atitude do cristão para consigo mesmo — e fechamos o cacho.
A fidelidade (pístis, aqui traduzida "fidelidade") não é a fé salvadora — essa é raiz, não fruto (Rm 5.1-2) — mas a lealdade, a confiabilidade, a integridade que não trai a palavra dada, nem a Deus nem aos homens. Quando é que sua fidelidade é testada e comprovada? Não é quando cumprir sua palavra é fácil e conveniente.
É exatamente quando cumprir o que você prometeu passa a custar caro — financeiramente, socialmente, emocionalmente — que sua fidelidade deixa de ser promessa e se torna caráter.
A mansidão (praýtēs) é poder sob controle absoluto — a palavra grega descrevia um cavalo de batalha domesticado, que obedece a uma rédea suave sem perder sua força.
O próprio Cristo se descreveu como manso (Mt 11.29), embora fosse plenamente capaz — e por vezes o fizesse — de reprovar com severidade (Mt 23).
Você só descobre se é manso quando é provocado o suficiente para ter todo o direito de explodir — e escolhe não explodir.
O domínio próprio (egkráteia) é, literalmente, "agarrar o próprio eu" — o controle dos apetites, aplicado aos atletas que disciplinavam o corpo para competir (1 Co 9.25).
Quando é que você sabe se tem domínio próprio? Não quando não há tentação nenhuma diante de você. É exatamente na presença do apetite desregrado, da oportunidade de pecar sem ser visto, que o domínio próprio — ou sua ausência trágica — se revela.
Olhem de novo para a fruta inteira. Nenhum desses gomos existe fora da fruta inteira. E nenhum desses gomos amadurece fora do atrito. O oposto de cada gomo não é apenas a ausência da virtude — é, paradoxalmente, a condição necessária para que a virtude se manifeste e se aperfeiçoe. Filosoficamente, teologicamente, à luz da providência de Deus, o caos relacional que você tanto teme não é a interrupção do seu crescimento espiritual — é o próprio meio pelo qual Deus o cultiva. É a academia da alma. É o peso que, ao te resistir, te fortalece. É a fricção que, ao te ferir, te lapida.
Ao olhar para os nove gomos desta semana, qual deles está mais verde em minha vida — e qual provocação, se eu a recebesse com os olhos do Espírito, poderia madurecê-lo antes de domingo?