Igreja Presbiteriana Dikaios
Confissão de Fé de Westminster Capítulo VIII

De Cristo, o Mediador

INTRODUÇÃO

Como pecadores podem ser reconciliados com um Deus santo e justo?

Essa é uma das perguntas fundamentais da fé cristã. O pecado trouxe culpa, condenação, morte e separação de Deus. O ser humano, por si mesmo, não possui qualquer meio capaz de restaurar sua comunhão com o Criador.

A resposta das Escrituras é Jesus Cristo.

O Senhor Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens. Ele é o eterno Filho de Deus que assumiu uma verdadeira natureza humana, viveu em perfeita obediência, morreu na cruz pelos pecadores, ressuscitou, ascendeu aos céus e está à direita do Pai, de onde continua exercendo seu ministério em favor de seu povo.

O capítulo 8 da Confissão de Fé de Westminster apresenta de maneira profunda a pessoa e a obra de Cristo. Ele mostra quem Cristo é, por que somente ele pode ser o Mediador, o que realizou na redenção e como aplica eficazmente essa redenção ao seu povo.

1. CRISTO FOI ORDENADO PARA SER O MEDIADOR

A obra de Cristo não foi uma solução improvisada diante do pecado humano.

Desde a eternidade, Deus determinou seu propósito de redenção. O Filho foi escolhido e ordenado para ser o Mediador entre Deus e os homens.

A Bíblia apresenta Cristo como aquele que ocupa uma posição absolutamente central no propósito de Deus.

João 1:1-3 declara:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”

O Verbo estava com Deus desde o princípio e era Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele.

Cristo, portanto, não começou a existir quando nasceu de Maria. Ele é o eterno Filho de Deus.

Colossenses 1:16-17 afirma:

“Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis... Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.”

Aquele por meio de quem todas as coisas foram criadas é o mesmo que veio ao mundo para realizar a redenção.

Cristo é o centro do plano redentor de Deus.

2. UM SÓ MEDIADOR ENTRE DEUS E OS HOMENS

A Escritura é clara quanto à exclusividade de Cristo.

1 Timóteo 2:5 declara:

“Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem.”

Existe um só Deus e existe um só Mediador.

A necessidade de um Mediador surge por causa da separação provocada pelo pecado. Deus é santo e justo, enquanto o homem é pecador e culpado.

Cristo é aquele que reconcilia.

2 Coríntios 5:18-19 afirma:

“Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo... a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo.”

A reconciliação não começa com o homem tentando alcançar Deus. Ela começa com Deus providenciando o Mediador.

Cristo é o caminho estabelecido pelo próprio Deus para a reconciliação entre o pecador e seu Criador.

3. CRISTO É VERDADEIRAMENTE DEUS

Para exercer perfeitamente o ofício de Mediador, Cristo precisava ser verdadeiramente Deus.

O Filho é eterno, da mesma substância do Pai e igual ao Pai.

João 1:1 afirma:

“O Verbo era Deus.”

Jesus também declarou em João 8:58:

“Antes que Abraão existisse, Eu Sou.”

Essa afirmação aponta para sua existência eterna e para sua identidade divina.

Em João 10:30, Jesus declarou:

“Eu e o Pai somos um.”

Colossenses 2:9 afirma:

“Porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade.”

Cristo não é uma criatura elevada a uma posição especial. Ele é o eterno Filho de Deus.

Sua divindade é essencial para a obra da redenção. Somente alguém verdadeiramente Deus poderia oferecer uma obra de valor infinito e realizar plenamente aquilo que era necessário para a salvação de seu povo.

4. CRISTO TORNOU-SE VERDADEIRAMENTE HOMEM

O Filho eterno de Deus assumiu uma verdadeira natureza humana.

João 1:14 declara:

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.”

A encarnação não significa que o Filho deixou de ser Deus. Significa que ele assumiu uma natureza humana verdadeira.

Jesus nasceu, cresceu, sentiu fome, sede, cansaço e dor. Ele chorou, sofreu e morreu.

Lucas 2:52 afirma:

“E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens.”

Mateus 4:2 mostra Jesus sentindo fome. João 19:28 registra sua sede. João 11:35 mostra Jesus chorando. Hebreus 4:15 declara que ele foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.

Cristo possui verdadeira humanidade, mas nunca pecou. Sua humanidade não é aparente. É real.

5. DUAS NATUREZAS EM UMA SÓ PESSOA

A fé cristã confessa que Jesus Cristo possui duas naturezas distintas: uma divina e uma humana. Entretanto, existe uma única pessoa.

Cristo não é duas pessoas. Ele é uma só pessoa com duas naturezas. Sua natureza divina permanece plenamente divina. Sua natureza humana permanece plenamente humana. As duas naturezas não são misturadas, confundidas, transformadas ou separadas.

Filipenses 2:6-8 apresenta essa verdade de maneira extraordinária. Cristo existia na forma de Deus e, ainda assim, assumiu a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens. A encarnação não diminuiu sua divindade. O eterno Filho de Deus acrescentou à sua pessoa uma verdadeira natureza humana. Essa verdade é fundamental para compreender a salvação.

6. POR QUE CRISTO PRECISAVA SER HOMEM?

Cristo precisava ser verdadeiro homem para representar a humanidade. Como nosso representante, ele poderia obedecer à lei em nosso lugar, sofrer em nosso lugar e morrer em nosso lugar.

Hebreus 2:14 afirma:

“Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou.”

E Hebreus 2:17 declara:

“Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos.”

Cristo assumiu nossa natureza para realizar a obra que o homem pecador não poderia realizar. Ele é o representante perfeito da humanidade redimida.

7. CRISTO COMO PROFETA, SACERDOTE E REI

Cristo exerce três grandes ofícios: Profeta, Sacerdote e Rei. Esses três ofícios mostram a plenitude de sua obra mediadora.

CRISTO COMO PROFETA: Como Profeta, Cristo revela Deus e a verdade da salvação. Hebreus 1:1-2 declara:

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho.”

Cristo é a revelação suprema de Deus. João 1:18 declara: “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.” Cristo revela quem Deus é e ensina o caminho da salvação.

CRISTO COMO SACERDOTE: Como Sacerdote, Cristo oferece a si mesmo como sacrifício pelos pecadores e intercede por seu povo. Hebreus 7:25 declara que ele vive “sempre para interceder por eles.” Seu sacrifício foi oferecido uma única vez e possui eficácia perfeita. Seu ministério sacerdotal, porém, continua por meio de sua intercessão.

CRISTO COMO REI: Como Rei, Cristo governa sua Igreja e todas as coisas. Mateus 28:18 declara: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.” Cristo não está esperando para começar a reinar. Ele reina agora. Ele governa sua Igreja, derrota seus inimigos e conduz todas as coisas segundo sua vontade.

8. A HUMILHAÇÃO DE CRISTO

A obra de Cristo pode ser compreendida em dois estados: humilhação e exaltação. Sua humilhação começa com a encarnação e alcança seu ponto culminante na morte de cruz.

  • Cristo nasceu.
  • Viveu sob a lei.
  • Sofreu.
  • Foi rejeitado e traído.
  • Foi condenado, crucificado e morto.
  • Foi sepultado.

Filipenses 2:8 declara:

“A si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.”

Aquele que possuía glória eterna assumiu a condição de servo. A profundidade da humilhação de Cristo revela a profundidade de seu amor e de sua obediência.

9. A OBEDIÊNCIA PERFEITA DE CRISTO

Cristo não veio apenas para morrer. Ele veio também para obedecer perfeitamente à lei de Deus.

Romanos 5:18-19 estabelece o contraste entre Adão e Cristo. Por meio da desobediência de um homem, muitos foram constituídos pecadores; por meio da obediência de um só, muitos serão constituídos justos.

Cristo realizou aquilo que Adão não realizou. Onde Adão desobedeceu, Cristo obedeceu. Onde o primeiro homem caiu, Cristo permaneceu fiel. Sua obediência perfeita faz parte da justiça que ele adquiriu para seu povo.

10. A MORTE DE CRISTO FOI UM SACRIFÍCIO SUBSTITUTIVO

A cruz está no centro da obra mediadora. Cristo morreu em lugar de pecadores.

Isaías 53:5 declara:

“Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele.”

E o versículo 6 afirma: “O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.” Essa é a linguagem da substituição. Cristo tomou o lugar do pecador. Ele carregou a penalidade que o pecado merece. A cruz não foi um acidente, mas o cumprimento do propósito redentor de Deus.

11. CRISTO SATISFEZ A JUSTIÇA DE DEUS

A morte de Cristo satisfez plenamente a justiça divina. Romanos 3:25-26 apresenta Cristo como propiciação para demonstrar a justiça de Deus. A cruz demonstra que Deus não ignora o pecado; ele continua sendo justo e, ao mesmo tempo, justifica aquele que tem fé em Jesus.

2 Coríntios 5:21 afirma:

“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.”

12. A CRUZ E A VITÓRIA SOBRE O MAL

A cruz também representa a vitória de Cristo sobre Satanás e os poderes das trevas (Colossenses 2:13-15). Cristo morreu como substituto, satisfez a justiça de Deus, removeu a culpa e venceu os poderes das trevas. A aparente derrota da cruz tornou-se a grande vitória da redenção.

13. A MORTE REAL E O SEPULTAMENTO DE CRISTO

Cristo realmente morreu e foi verdadeiramente sepultado. 1 Coríntios 15:3-4 afirma que Cristo morreu pelos nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia. O sepultamento confirma a realidade de sua morte.

14. A RESSURREIÇÃO CORPORAL

Cristo ressuscitou corporalmente. O mesmo corpo que foi crucificado ressuscitou glorificado (Lucas 24:39). A ressurreição confirma que sua obra foi aceita e que a morte não teve a palavra final sobre o Mediador.

15. A EXALTAÇÃO DE CRISTO

Depois da ressurreição, Cristo foi exaltado à direita da Majestade nas alturas (Hebreus 1:3; Filipenses 2:9). Aquele que foi humilhado na cruz agora reina em glória.

16. CRISTO INTERCEDE POR SEU POVO

A ascensão de Cristo não significa o fim de sua obra. Ele continua exercendo seu ofício sacerdotal, vivendo sempre para interceder por seu povo (Hebreus 7:25; Romanos 8:34).

17. A OBRA DE CRISTO ALCANÇA OS SANTOS DO ANTIGO TESTAMENTO

A redenção realizada por Cristo não está limitada àqueles que viveram depois da encarnação. Os santos do Antigo Testamento também foram salvos pela graça mediante a obra de Cristo (Gênesis 3:15; Hebreus 9:15).

18. OS SACRIFÍCIOS DO ANTIGO TESTAMENTO APONTAVAM PARA CRISTO

Os sacrifícios, o cordeiro, o altar e o sacerdócio eram sombras que apontavam para o cumprimento definitivo na obra do Mediador (Hebreus 10:1; 9:11-12).

19. CRISTO É UMA PESSOA COM DUAS NATUREZAS

A união das naturezas de Cristo permite que aquilo que pertence propriamente a uma natureza seja atribuído à sua pessoa (como em Atos 20:28), sem confundir as duas naturezas. Ele continua sendo plenamente Deus e plenamente homem.

20. A REDENÇÃO DE CRISTO É EFICAZ

Cristo não apenas tornou a salvação uma possibilidade; ele adquiriu a redenção para seu povo e aplica eficazmente os benefícios dessa redenção (João 6:37; 10:27-28; Romanos 8:29-30).

21. CRISTO CONTINUA SENDO PROFETA, SACERDOTE E REI

Cristo reina agora sobre todas as coisas e conduz a história para o cumprimento de seu propósito (Mateus 28:18).

22. CRISTO E O ESPÍRITO SANTO

A salvação é obra do Deus triúno: o Pai envia o Filho, o Filho realiza a redenção e envia o Espírito Santo, que aplica eficazmente essa redenção aos crentes (João 16:7, 14).

23. A GLÓRIA DO CRISTO EXALTADO

A doutrina conduz à adoração. Todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai (Filipenses 2:9-11).

CONCLUSÃO

O capítulo 8 da Confissão de Fé de Westminster apresenta a maior verdade da fé cristã: Jesus Cristo é o único Mediador, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, suficiente em sua obra e eterno em seu reinado.

A esperança cristã não está na capacidade humana, mas no Mediador. O pecador encontra plena reconciliação com Deus unicamente em Cristo.