Como pecadores podem ser reconciliados com um Deus santo e justo?
Essa é uma das perguntas fundamentais da fé cristã. O pecado trouxe culpa, condenação, morte e separação de Deus. O ser humano, por si mesmo, não possui qualquer meio capaz de restaurar sua comunhão com o Criador.
A resposta das Escrituras é Jesus Cristo.
O Senhor Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens. Ele é o eterno Filho de Deus que assumiu uma verdadeira natureza humana, viveu em perfeita obediência, morreu na cruz pelos pecadores, ressuscitou, ascendeu aos céus e está à direita do Pai, de onde continua exercendo seu ministério em favor de seu povo.
O capítulo 8 da Confissão de Fé de Westminster apresenta de maneira profunda a pessoa e a obra de Cristo. Ele mostra quem Cristo é, por que somente ele pode ser o Mediador, o que realizou na redenção e como aplica eficazmente essa redenção ao seu povo.
A obra de Cristo não foi uma solução improvisada diante do pecado humano.
Desde a eternidade, Deus determinou seu propósito de redenção. O Filho foi escolhido e ordenado para ser o Mediador entre Deus e os homens.
A Bíblia apresenta Cristo como aquele que ocupa uma posição absolutamente central no propósito de Deus.
João 1:1-3 declara:
O Verbo estava com Deus desde o princípio e era Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele.
Cristo, portanto, não começou a existir quando nasceu de Maria. Ele é o eterno Filho de Deus.
Colossenses 1:16-17 afirma:
Aquele por meio de quem todas as coisas foram criadas é o mesmo que veio ao mundo para realizar a redenção.
Cristo é o centro do plano redentor de Deus.
A Escritura é clara quanto à exclusividade de Cristo.
1 Timóteo 2:5 declara:
Existe um só Deus e existe um só Mediador.
A necessidade de um Mediador surge por causa da separação provocada pelo pecado. Deus é santo e justo, enquanto o homem é pecador e culpado.
Cristo é aquele que reconcilia.
2 Coríntios 5:18-19 afirma:
A reconciliação não começa com o homem tentando alcançar Deus. Ela começa com Deus providenciando o Mediador.
Cristo é o caminho estabelecido pelo próprio Deus para a reconciliação entre o pecador e seu Criador.
Para exercer perfeitamente o ofício de Mediador, Cristo precisava ser verdadeiramente Deus.
O Filho é eterno, da mesma substância do Pai e igual ao Pai.
João 1:1 afirma:
Jesus também declarou em João 8:58:
Essa afirmação aponta para sua existência eterna e para sua identidade divina.
Em João 10:30, Jesus declarou:
Colossenses 2:9 afirma:
Cristo não é uma criatura elevada a uma posição especial. Ele é o eterno Filho de Deus.
Sua divindade é essencial para a obra da redenção. Somente alguém verdadeiramente Deus poderia oferecer uma obra de valor infinito e realizar plenamente aquilo que era necessário para a salvação de seu povo.
O Filho eterno de Deus assumiu uma verdadeira natureza humana.
João 1:14 declara:
A encarnação não significa que o Filho deixou de ser Deus. Significa que ele assumiu uma natureza humana verdadeira.
Jesus nasceu, cresceu, sentiu fome, sede, cansaço e dor. Ele chorou, sofreu e morreu.
Lucas 2:52 afirma:
Mateus 4:2 mostra Jesus sentindo fome. João 19:28 registra sua sede. João 11:35 mostra Jesus chorando. Hebreus 4:15 declara que ele foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.
Cristo possui verdadeira humanidade, mas nunca pecou. Sua humanidade não é aparente. É real.
A fé cristã confessa que Jesus Cristo possui duas naturezas distintas: uma divina e uma humana. Entretanto, existe uma única pessoa.
Cristo não é duas pessoas. Ele é uma só pessoa com duas naturezas. Sua natureza divina permanece plenamente divina. Sua natureza humana permanece plenamente humana. As duas naturezas não são misturadas, confundidas, transformadas ou separadas.
Filipenses 2:6-8 apresenta essa verdade de maneira extraordinária. Cristo existia na forma de Deus e, ainda assim, assumiu a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens. A encarnação não diminuiu sua divindade. O eterno Filho de Deus acrescentou à sua pessoa uma verdadeira natureza humana. Essa verdade é fundamental para compreender a salvação.
Cristo precisava ser verdadeiro homem para representar a humanidade. Como nosso representante, ele poderia obedecer à lei em nosso lugar, sofrer em nosso lugar e morrer em nosso lugar.
Hebreus 2:14 afirma:
E Hebreus 2:17 declara:
Cristo assumiu nossa natureza para realizar a obra que o homem pecador não poderia realizar. Ele é o representante perfeito da humanidade redimida.
Cristo exerce três grandes ofícios: Profeta, Sacerdote e Rei. Esses três ofícios mostram a plenitude de sua obra mediadora.
CRISTO COMO PROFETA: Como Profeta, Cristo revela Deus e a verdade da salvação. Hebreus 1:1-2 declara:
Cristo é a revelação suprema de Deus. João 1:18 declara: “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.” Cristo revela quem Deus é e ensina o caminho da salvação.
CRISTO COMO SACERDOTE: Como Sacerdote, Cristo oferece a si mesmo como sacrifício pelos pecadores e intercede por seu povo. Hebreus 7:25 declara que ele vive “sempre para interceder por eles.” Seu sacrifício foi oferecido uma única vez e possui eficácia perfeita. Seu ministério sacerdotal, porém, continua por meio de sua intercessão.
CRISTO COMO REI: Como Rei, Cristo governa sua Igreja e todas as coisas. Mateus 28:18 declara: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.” Cristo não está esperando para começar a reinar. Ele reina agora. Ele governa sua Igreja, derrota seus inimigos e conduz todas as coisas segundo sua vontade.
A obra de Cristo pode ser compreendida em dois estados: humilhação e exaltação. Sua humilhação começa com a encarnação e alcança seu ponto culminante na morte de cruz.
Filipenses 2:8 declara:
Aquele que possuía glória eterna assumiu a condição de servo. A profundidade da humilhação de Cristo revela a profundidade de seu amor e de sua obediência.
Cristo não veio apenas para morrer. Ele veio também para obedecer perfeitamente à lei de Deus.
Romanos 5:18-19 estabelece o contraste entre Adão e Cristo. Por meio da desobediência de um homem, muitos foram constituídos pecadores; por meio da obediência de um só, muitos serão constituídos justos.
Cristo realizou aquilo que Adão não realizou. Onde Adão desobedeceu, Cristo obedeceu. Onde o primeiro homem caiu, Cristo permaneceu fiel. Sua obediência perfeita faz parte da justiça que ele adquiriu para seu povo.
A cruz está no centro da obra mediadora. Cristo morreu em lugar de pecadores.
Isaías 53:5 declara:
E o versículo 6 afirma: “O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.” Essa é a linguagem da substituição. Cristo tomou o lugar do pecador. Ele carregou a penalidade que o pecado merece. A cruz não foi um acidente, mas o cumprimento do propósito redentor de Deus.
A morte de Cristo satisfez plenamente a justiça divina. Romanos 3:25-26 apresenta Cristo como propiciação para demonstrar a justiça de Deus. A cruz demonstra que Deus não ignora o pecado; ele continua sendo justo e, ao mesmo tempo, justifica aquele que tem fé em Jesus.
2 Coríntios 5:21 afirma:
A cruz também representa a vitória de Cristo sobre Satanás e os poderes das trevas (Colossenses 2:13-15). Cristo morreu como substituto, satisfez a justiça de Deus, removeu a culpa e venceu os poderes das trevas. A aparente derrota da cruz tornou-se a grande vitória da redenção.
Cristo realmente morreu e foi verdadeiramente sepultado. 1 Coríntios 15:3-4 afirma que Cristo morreu pelos nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia. O sepultamento confirma a realidade de sua morte.
Cristo ressuscitou corporalmente. O mesmo corpo que foi crucificado ressuscitou glorificado (Lucas 24:39). A ressurreição confirma que sua obra foi aceita e que a morte não teve a palavra final sobre o Mediador.
Depois da ressurreição, Cristo foi exaltado à direita da Majestade nas alturas (Hebreus 1:3; Filipenses 2:9). Aquele que foi humilhado na cruz agora reina em glória.
A ascensão de Cristo não significa o fim de sua obra. Ele continua exercendo seu ofício sacerdotal, vivendo sempre para interceder por seu povo (Hebreus 7:25; Romanos 8:34).
A redenção realizada por Cristo não está limitada àqueles que viveram depois da encarnação. Os santos do Antigo Testamento também foram salvos pela graça mediante a obra de Cristo (Gênesis 3:15; Hebreus 9:15).
Os sacrifícios, o cordeiro, o altar e o sacerdócio eram sombras que apontavam para o cumprimento definitivo na obra do Mediador (Hebreus 10:1; 9:11-12).
A união das naturezas de Cristo permite que aquilo que pertence propriamente a uma natureza seja atribuído à sua pessoa (como em Atos 20:28), sem confundir as duas naturezas. Ele continua sendo plenamente Deus e plenamente homem.
Cristo não apenas tornou a salvação uma possibilidade; ele adquiriu a redenção para seu povo e aplica eficazmente os benefícios dessa redenção (João 6:37; 10:27-28; Romanos 8:29-30).
Cristo reina agora sobre todas as coisas e conduz a história para o cumprimento de seu propósito (Mateus 28:18).
A salvação é obra do Deus triúno: o Pai envia o Filho, o Filho realiza a redenção e envia o Espírito Santo, que aplica eficazmente essa redenção aos crentes (João 16:7, 14).
A doutrina conduz à adoração. Todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai (Filipenses 2:9-11).
O capítulo 8 da Confissão de Fé de Westminster apresenta a maior verdade da fé cristã: Jesus Cristo é o único Mediador, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, suficiente em sua obra e eterno em seu reinado.
A esperança cristã não está na capacidade humana, mas no Mediador. O pecador encontra plena reconciliação com Deus unicamente em Cristo.