Igreja Presbiteriana Dikaios
História

A Confissão de Fé de Westminster

John Knox da Escócia (1514–1572) foi o fundador da Igreja na Escócia, que ficou conhecida como Igreja Presbiteriana devido à sua forma de organização eclesiástica. Ele e João Calvino são considerados as figuras-chave na origem da Igreja Presbiteriana. Knox exerceu o ministério no norte da Inglaterra, onde o catolicismo romano e o anglicanismo dominavam o panorama religioso.

Haviam duas nações (Escócia e Inglaterra), governadas por dois reis até 1603, quando Elizabeth I da Inglaterra faleceu. Seu primo, que era o rei Jaime VI da Escócia, também se tornou o rei Jaime I da Inglaterra na “União das Coroas”. Ele autorizou a nova tradução inglesa da Bíblia (Versão King James de 1611).

No início do século XVII, embora houvesse uma união política entre a Escócia e a Inglaterra, não havia unidade religiosa. A Igreja da Inglaterra continuava a ser uma importante protagonista, mas o movimento puritano dentro dela crescia em número e influência.

Os puritanos eram aqueles dentro da Igreja Anglicana que desejavam que a reforma na Inglaterra fosse além do que conquistou. Embora a Igreja Anglicana tivesse feito alguns esforços para se distinguir do catolicismo romano, os puritanos queriam mais reformas. Por exemplo, eles queriam um governo mais congregacional, em vez de serem governados por bispos, queriam que a pregação fosse mais centralizada, em vez da Mesa e dos rituais, e queriam que a ênfase fosse em Cristo como cabeça da igreja, em vez do rei.

A discussão religiosa cresceu entre a persuasão presbiteriana na Escócia, ao norte, as persuasões católica romana e anglicana, ao sul, e também a persuasão puritana, ao sul. Esse foi o contexto político e religioso em que a Assembleia de Westminster foi convocada, que Schaff chama de “o capítulo mais importante da história eclesiástica da Inglaterra durante o século XVII”.

Em 12 de junho de 1643, o Parlamento convocou uma assembleia em Westminster, em Londres, para começar a se reunir em julho. O objetivo era “efetuar uma reforma mais perfeita da Igreja da Inglaterra em sua liturgia, disciplina e governo com base na Palavra de Deus e, assim, aproximá-la da Igreja da Escócia e das Igrejas Reformadas do continente”. Em outras palavras, essa assembleia foi convocada para tentar trazer unidade entre os grupos.

A assembleia era composta por 151 membros, pessoas de vários lugares e convicções, mas eram os presbiterianos que eram mais numerosos e mantinham o controle sobre as questões na reunião. A solenidade foi aberta em 1º de julho de 1643 na Abadia de Westminster, em frente ao Parlamento. Realizou nada menos que 1.163 sessões, reunindo-se cinco dias por semana durante mais de 5 anos, antes de desaparecer no decorrer do tempo.

Depois de fazer algumas revisões nos 39 Artigos da Igreja Anglicana, o foco mudou para a elaboração de uma Confissão de Fé que buscasse unificar a Inglaterra, a Escócia e a Irlanda. Esse empreendimento levou dois anos e três meses. O trabalho resultante, chamado “A Confissão de Fé de Westminster”, foi impresso pela primeira vez em dezembro de 1646 e, com algumas edições e pequenas revisões, sua versão principal autorizada apareceu em maio de 1647.

Ao longo do ano seguinte, a Câmara dos Comuns inglesa (é a câmara baixa do Parlamento do Reino Unido e o principal órgão legislativo do país) a revisou e fez algumas alterações, especificamente em relação ao governo da igreja, antes de finalmente endossá-la. Na Escócia, a Confissão foi levada à Assembleia Geral em Edimburgo e adotada na íntegra em agosto do mesmo ano. Junto com a Confissão, duas formas de catecismo também foram produzidas — o Catecismo Breve de Westminster e o Catecismo Longo de Westminster.

A Confissão acabou sendo totalmente adotada e apoiada pela igreja escocesa e rejeitada, pela maioria, na inglesa, embora esta tenha usado o Catecismo Breve.

Observações gerais sobre a Confissão de Westminster

  • A confissão é clara e fortemente calvinista por natureza.
  • A confissão articula claramente suas divergências e oposição ao anabatismo, ao catolicismo romano e ao luteranismo.
  • A confissão é muito útil quando se trata de articular muitos pontos, como as doutrinas de Deus, de Jesus Cristo, da Criação, do Casamento, etc.
  • A confissão influenciou outras confissões de fé futuras, como a Segunda Confissão Batista de Londres, produzida cerca de quarenta anos depois.
  • A Confissão de Westminster, juntamente com os catecismos mais curto e mais longo, o Diretório de Culto Público e a Forma de Governo da Igreja, foram todos produzidos pela Assembleia de Westminster.
  • Esses documentos são coletivamente chamados de Padrões de Westminster e se tornaram os padrões fundamentais do presbiterianismo escocês.
  • A Confissão de Westminster é adotada hoje por presbiterianos e reformados em todo o mundo. Na América, existem várias denominações presbiterianas. A Igreja Presbiteriana Ortodoxa mantém os Padrões de Westminster como seus padrões secundários. A Escritura é, em última instância, a autoridade. A Igreja Presbiteriana da América também adota os Padrões, assim como a Igreja Presbiteriana Livre da América do Norte.